Quarta-feira, Novembro 25, 2009

Incongruência

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Todos se foram, embora.
Levaram fotos, poemas.
Tudo que de mim podiam
E nunca quiseram.
Levaram meus palpites,
Meu endereço, lenços.
Pegaram minhas coisas, e
Foram buscar a felicidade.

Não os culpo, eu também iria.

Todos me deixaram, embora.
Tivessem meus ombros, exaustos.
Estariam obrigados, espero.
Levaram minhas músicas e
Minhas interessantes lembranças.
Levaram o copo cheio, e o gelo
Debaixo do braço, o livro; a fome
Nem abraço, nem qualquer beijo.
Foram embora ontem, hoje;
Em boa hora.

Não os culpo, também os abandonei um pouco.
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Terça-feira, Outubro 27, 2009

Exercício de imaginação sobre a improvável aliança para 2010

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A discussão sobre a eleição presidencial de 2010 começou nos partidos um dia após a vitória de Lula para o segundo mandato. E se alguém acha que os partidos estão confiantes em suas decisões, e que já formaram suas bases para a batalha diária da campanha, podem esquecer: De lá pra cá tudo foi feito, mas nada resolvido. Aliança de cá, conversa de lá, ministérios e mais mistérios. O certo é que a oposição se separa cada vez mais; e a situação fica cada vez mais desconfiada. Enquanto não há consenso no nome da oposição, nas pesquisas não há crescimento para o nome consentido da situação.

Não é fácil mesmo fazer política. Tudo ficou mais claro quando, numa feliz comparação, utilizando-se de personagens de modo infeliz, Lula avisou como funciona o negócio aqui no Brasil: No inferno não devemos abrir mão de negociar com o Capeta. E parece que isso se faz sistematicamente, durante todos esses anos de democracia; e quem sabe até nos anos da ditadura. O que parece ser um ato glorioso da política, que é a relação humana dos tratos humanos; no Brasil se estabelece, de forma merecida, com vaias da desconfiança. Não sabemos se a negociação entre opostos é para o melhor do Brasil ou para melhorar seus próprios bolsos.

Hoje temos três nomes fortes e duas cabeças iguais: Dilma é o Serra de saia. É claro, estou dizendo isso por uma observação muito pessoal. Dilma, dizem, é tão exigente quanto Serra. Que gosta das coisas bem feitas. Que não tem muito horário para trabalhar: é possível vê-la fazer coisas em horários mais absurdos. Do mesmo modo é o Serra, que costuma ligar para seus assessores em qualquer hora do dia, ou da madrugada; logo que percebe uma luz sobre algum problema. Dos dois, podemos ter certeza, teremos excelentes profissionais naquilo que são exigidos. Mas os dois servem para a presidência?

De um modo geral, tenho certeza que a presidência é o cargo onde se exige maior “capacidade” política. Tirando do currículo qualquer onda administrativa, de conhecimentos técnicos sobre economia, ou mesmo língua estrangeira. É ali que funciona o verdadeiro “gestor”, aquele que coloca os vários Judas e os vários Jesus na mesma mesa; dizendo o que eles devem e o que podem fazer. O exemplo claro disso tudo é o presidente atual, que mesmo com tantas críticas, é conhecido com um ótimo negociador, e que numa metáfora ainda mais escandalosa, faz o milagre da conciliação dos contrários.

Assim, não só os partidos estão confusos, mas os eleitores. E essa confusão acontece porque, para mais da metade dos votos, a comparação do candidato deverá ser feita com o modelo de Lula. Ou seja, quererão; na pior das hipóteses, um candidato parecido com aquele que tem 2/3 de aprovação como governante. Parecido como? Talvez parecido nas medidas populistas. Talvez na maneira “popular” de se expressar. Talvez com a forma de negociar. Tudo isso que temos no Lula, e muitos odeiam, será o parâmetro ideal para muitos que decidirão o próximo presidente. Todos querem o “ser” político Lula.

Desse jeito, os dois candidatos mais visados estão com os dias contados. Dilma está próximo de Lula, mas longe de ser ele. Serra está longe de Lula e muito longe de querer ser ele. Talvez a figura de Aécio seja aquela que mais se aproxima, mas de maneira bem singela, ao que todos esperam de um novo ”Lula”. E talvez por esse motivo, as coisas andam tão confusas na oposição: Aécio seria capaz de desbancar Lula mesmo com uma pontuação menor que de Serra e um nome ainda não muito nacional? Seria o candidato ideal um Aécio no PT com chancela de Lula?

Aécio no PT é minha imaginação, suposição deslavada. Isso é algo irreal para o momento, em virtude de tudo que já fizeram os partidos pensando nas próximas eleições e até mesmo a própria história dos políticos envolvidos. Só não podemos deixar de pensar no absurdo sobre política, onde acontece de qualquer negociação inviável transformar-se em situações surpreendentes.
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Publicado também no site www.informacaovirtual.com POLITICAVOZ

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

Novos Projetos

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Olá,

Tudo anda corrido! O relógio parece não parar nenhum minuto e o calendário andando a todo vapor! Na verdade o texto é uma satisfação: tenho dois projetos andando, mas um deles ainda distante. Enquanto um no plano das idéias, o outro já está se concretizando. Ambos são realizados em parceria.

O primeiro deles é uma coisa antiga: criar texto que narre uma fotografia. Eu já tinha pensando nisso antes, mas a parceria não deu certo. Ficamos imaginando como seria e acabou não sendo nada. Agora o negócio parece funcionar! Do nada, conversando com uma amiga, que tem um fotoblog; acabei revelando um dos sonhos, que era juntar imagem e texto. Ela aceitou na hora e em poucos minutos já tinha uma produção feita: A SOLIDÃO DOS ANOS.

O outro é um roteiro para um monólogo, que pretendo passar para Rynaldo Papoy fazer uma apresentação. Tenho em mente o texto, o roteiro e tudo mais. A única coisa que não tenho ainda é próprio texto (o suor); ou seja, o mais importante. Mas como ele disse que não tem muita pressa, acho que vou fazer o negócio com calma. Só espero que ele não fique zangado, por ter que colocar esse projeto novamente em segundo plano! Calma, cara, uma hora sai!!!

Para quem se interessar pelo A SOLIDÃO DOS ANOS do Voz e Cores, acesse:

http://vozecor.blogspot.com/

Valeu,

Sérgio Oliveira.
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Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Chão de Pecado

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Surjo preso entre paredões,
o rosto colado no chão,
aguardo a penalidade última.
Chego com peito aberto,
e olhos úmidos
de poder-lhes dizer ainda, apenas,
mais, e quem sabe tudo;
o que finjo e sinto, ouço.
Golpeado de pesadelos do esquecimento,
entre cordas, prisões e arrombamento;
visto-me aqui, entre tantos pecadilhos,
como e qualquer comum prisioneiro.

Não pensem logrados, tratar-se do poema
relato mal detalhado da divindade.
São dos homens todos, enganados,
Tortos, esquecidos e desajeitados;
essas escusadas palavras, encruzilhadas.
De qualquer idade em que se admita
No sonho a passividade;
dos que se arrependem da tardia
interpretação dos mandos,
são agora, desses tristonhos seres;
essa penosa e cansativa carta.

Se do remetente sabe-se pouco,
do destinatário é quem mais se precisa.
Será o ouvido inquieto que chora,
Que lamenta e decifra, nas letras
Misturadas, a paixão e a agonia.
Será a boca que repete, em quatro cantos,
Quartos solitários e reflexivos:
A dor que eu sinto, mas não deveria!

E, na cela, ouve-se murmuro, de tantas vozes
Que no meio delas não me vejo,
Nem me sinto, nem me quero.
Que não me reconheço no espelho,
Do refletido singelo, das luzes fracas
Do cigarro em forma e da vitória em punho.
Tão pálido, débito e cansado;
Sinto-me afeiçoado com a alma em dor,
Do rosto desajeitado de sono,
E do corpo esmiuçado da carne.

Não estou mais ali, no chão.

E revolto entre libertos de asas,
Com o rosto corado de Sol;
Aguardo-me paciente a última gratidão.
Recordo o vazio do peito, e
Os olhos ainda úmidos,
De poder dizer sim ao sim
Não ao não.

Mais do que, quem sabe tudo, suporta;
Golpeados de luzes, lamenta-se;
Do passar dos anos em inércia dormente.
Entre as cordas, puxa o corpo esquecido;
Com cortes, fortes; membros em risco,
E nasce da lama como protocormo;
Respira o ar límpido como antigamente.

E, na cela continuo sem murmuro, que às vezes
Em sentido vivo; criterioso e tenso;
Vibra no rosto o ódio latente;
Que no espelho o pesadelo constante;
Singelo do refletido derrotado em mente;
Daquele que se perdeu em outros tempos.

A vontade afeiçoada da alma;
De no corpo sorrir contente.

Não estou mais ali, mas ainda me sinto dormente.
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Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Cartas ao Vento 029

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Escrever é simples. Mas demoramos na reflexão, no julgamento do que dizer. Não deveria não ser assim. Queria escrever aquilo que viesse a cabeça, sair botando no papel, sem qualquer tipo de regra ou bloqueio. Queria escrever uma carta assim. Mas não posso. Ninguém pode escrever uma carta somente com a verdade. Ela não nos serve no cotidiano. Nós vivemos em melhores condições quando contamos com mentiras e coisas ilusórias. A ilusão é aquela tela na parede, preenchida com nossos desejos. Não existe, mas é como se estivesse ali. Isso é o que importa.

Então, queria que essa carta fosse um pouco verdadeira. Para contar a todos o que sinto. Mas em nenhum momento pensei em torná-la verídica. O constrangimento da verdade incomoda até quem não tem nenhuma relação comigo. Somos assim, não adianta nos enganar. Se formos verdadeiros, em todos os momentos de nossas vidas, arrumaríamos mais inimigos e perdas do que a felicidade. Precisamos sempre ser esse comportamento estranho, ambíguo e apaixonante.

Paixão que não tem nenhuma relação com amor, mas de completo desespero diante da contemplação do belo: a paixão é uma ótima mentira!

Assim, verdadeira carta, iria fazê-las aos meus inimigos. Sem desculpa e sem perdão. Porque, se hoje eu fosse escrever uma carta verdadeira, iria dizer que odeio tudo; estou incomodado com todos, que o céu está chuvoso; e que essa nuvem negra, com trovões e raios paralisantes, está fazendo meus pensamentos ficarem indigestos. E o corpo cansado. Essa seria a verdade, hoje numa carta (mas tenho coragem de mostrar aos amigos).

A carta seria o fim de tudo, ao menos no começo.

Depois de algumas palavras, iriam perceber que não é de todo mal escrever uma carta, sem prestar atenção no que se está dizendo. Ela sai natural, com pensamentos não lineares, e com entendimento não tão lógico. Mesmo assim, continua sendo uma carta.

Escrever uma carta como alguns: sem atenção aos pormenores da gramática, nem qualquer ligação com a lógica. Uma carta feliz hoje, seria uma carta que ninguém entenderia, apesar de bem escrita. Por isso fico com essa mesmo: cheia de desventura que também ninguém entende.
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Raízes

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No imaculado arbusto,
densos ventos sopram.
Insetos sobrevoam,
E a gotas retificam.

Raízes procuram água,
folhas ouvem conversas,
frutos nem sempre maduros
e caules nem sempre perversos.

Os pássaros ignoram,
mas repousam suas dúvidas.
E a gratidão do bem
nem sempre é descaminho.

O arbusto com vários caules
procuram seu escopo.

Esse é meu sonho: chuva!
Das raízes até as folhas.
Lavrar os réus pecados.
Livrando-me do desatino.
Salvar-me em densas nuvens:

Antes que eu morra!
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Terça-feira, Setembro 29, 2009

Descaso

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O abandono é qualquer momento.
Noite, madrugada e dia.
Sumir correndo em rebeldia, negar
qualquer culpa e sofreguidão;
partir sem deixar vestígios.

O rastro, apagado pelo incêndio,
desfeito pela chuva; em vão,
a pegada infinita dos caminhos.
O abandono não queixa testemunha,
Nem parentes, nem desculpas.

O abandono, por si, é moléstia.
Para todos nós, recompensa.
Enraizados no desamparo,
sumidos, exorcizados; tristes.
Solitário como prêmio macabro,
da cabeça na parede,
na ausência do corpo que sustente.

Enfim, procuro meu descaso
Do víeis disforme, doentio
E nele procuro minha companhia
Do grito sufocado na garganta,
Do amor que não partiu...
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Sexta-feira, Setembro 11, 2009

Aos Amores

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Estou com uma ferida enorme
Nasce no braço, não sei onde termina.
Estive pensando que essa dor,
Que não existe ainda,
Era essa ferida enorme.
Os olhos podem vê-la pulsando.
Essa ferida estranha e insensível.
Que percorre a barriga, desce
Até a ponta do pé, queimando.

Eu estaria voando, mas a ferida...

Ela lateja, incomoda; estaciona.
Então eu peço que me ajude,
Com essa ferida terrivelmente feia.
Mas da minha boca, a ferida que cresce
Diz palavras que ninguém consegue decifrar.
A ferida enorme, que nasceu no braço;
Criando pus no canto da boca,
me afago...

Eu seria vivo, mas a ferida....

Então, vou assim desse jeito.
E a ferida tomando conta,
Às vezes sendo eu mesmo.
E o que nasce no braço, e não sei
onde termina, vira um pouco de mim
que sufoca a ferida.

Ela estaria morta.....
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Quarta-feira, Setembro 09, 2009

Lápis

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Da minha infância,
Qualquer erro e descaminho.
Lápis, da pedra que risca o chão,
Da pedra, que dá seu nome,
Rabiscados sem motivo.
Era um poema,
E eu não sabia de quem.

Que me representa no papel branco.
Que me faz cores, na carreta;
Na igreja, no caminhão e céu.
O lápis que contorna minha casa,
Protegendo-me de fantasmas,
Que o lápis não consegue desenhar.
O lápis, que era minha espada,
Hoje não existe mais.

Da minha infância,
Era tão fácil ser feliz para sempre.
E escrever para sempre,
E decidir que para sempre existirá.
E da pedra, que tirei o nome,
numa pedra filosofal tão mais simples.
Que ficou para trás.

Era meu modo fácil de apagar a memória.
E representar no papel branco,
O que hoje não sinto mais.
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Terça-feira, Setembro 08, 2009

Renascimento

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Assopro o fogo, desisto.
Da vela na mesa, sem morto.
Rezo pelos dias que passam.
E os pesadelos que ficam.
Nos meus olhos, o rosto encoberto.
Não é paixão, mas arde.
Desconheço o caminho confuso,
E da vida nem preciso de dinheiro.
Mas num momento tortuoso,
Em que a fome bate no estômago;
Dane-se a imagem das palavras,
As delicadezas rimadas,
E o sentimento quase falso.

O poeta morre quando a vida começa.

E o fósforo de novo, como guia.
A cruz na lapela como escudo.
E se ouço tantos outros sofrimentos,
Percebo tarde que não resisto.
Tomem meu corpo, alma e sonhos.
Façam o que quiserem no eu desnudo.
Que o mundo me amordace sem receios,
Mas que não me tirem a música do poema.
Desconheço minhas falas desde ontem,
E dano-me na palavra sem regalo.
Ora o poeta visto em forma;
Agora o homem disfarçado,
Sem sentimentos......

O homem renasce onde o poeta morre.
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