HOJE É VINTE

terça-feira, abril 11, 2017

MUNDO QUE EU VIVO


Tudo anda tão doente,
que, às vezes,
acho que só por esperança,
vivemos.
Todo mundo sem sono,
numa insônia inconsequente;
que prefiro achar que só é doença.
Tudo tão doente,
parado na porta de casa;
com armas em punho,
esperando um vacilo qualquer.
Todos doentes, defendendo os doentes,
como certo fosse andar tão doente.
E defendem a doença com unhas e dentes.
impõem ao outro suas verdades,
vermes e bactérias
de um pensamento doente.
E querem o fim da doença,
torcendo pela doença,
desejando o fim do mundo.
Tudo tão doente nesse mundo
que eu prefiro nem ter esperança.
Esperamos?





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domingo, abril 09, 2017

ANTES DE MAIS NADA


Não queira pedir aquilo que lhe devo.
Posso ser melhor que tem cobrado:
Nas páginas, um personagem desqualificado.
Ou nos versos livres, um iletrado.
No vício, um descontrole moderado,
Viciado nas entrelinhas, inveterado.
Mas posso ser pior daquilo que lhe mostro.
Não queira pedir aquilo que não mereço:
Um personagem descontrolado no vício,
Nas entrelinhas, o inveterado verso,
Um iletrado, viciado e descontrolado.
Nas páginas livres um desqualificado.
Mas se quer isso mesmo, sem tirar,
Estou eu aqui na meia verdade, inteiro.
Sem ódio ou amor, apenas parte da história.
Se quer mesmo nossa história, que inteiro,
O amor que se transforme do ódio,
Na verdade completa que partimos ao meio.
Postado por Sérgio Oliveira às 10:13 PM Nenhum comentário:
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quarta-feira, março 15, 2017

POLITICAVOZ: Pior que está, fica



Hoje é um dia de caos. Mas quer saber a verdade? É pouco. Fizemos muito mais por causa de vinte centavos. Fizemos muito mais quando nos disseram que um partido era responsável por toda a corrupção do país. Fizemos muito mais quando nos disseram que devíamos sair às ruas por causa de uma irregularidade no Governo Dilma (que não incluía, pasmem, o vice). Fazemos mais quando nos mandam fazer. Então, agora, com o fim dos direitos, deveríamos fazer muito mais.

Sou favorável a Reforma Previdenciária. Se estão dizendo que o cálculo não bate, concordo e acredito (embora intimamente acredite que não seja bem assim). Sou favorável à uma ampla e irrestrita modificação em todo o processo previdenciário. Mas o quê entendemos como aposentados? Aposentados são todos os trabalhadores? Em partes, alguns trabalhadores têm direitos outros privilégios. Fim aos privilégios com a Reforma Previdenciária. O fim dos privilégios é mais importante, justo e rentável que o fim dos direitos*. Sim, o cálculo não bate, e não bate porque alguns recebem muito tendo contribuído pouquíssimo. Concordam? Então, estamos fazendo pouco ao não se unir aos motoristas, metroviários e afins, parando o país.

Outra coisa importantíssima que o Governo atual não coloca em conta: falta de vontade ou jogo político ao evitar a negociação das dívidas bilionárias das empresas com a previdência. Sim, meus caros amigos, nós, trabalhadores normais, vamos pagar com trabalho aquilo que empresas ricas, poderosas e gigantescas deixaram de pagar em dinheiro. Mas tudo bem, nós aceitamos com bom grado, pois não gostamos de briga, nem gostamos de discussão política.

Hoje é dia de caos, mas é pouco. Pouco pelo tanto que somos enganados, pelo tanto que nos roubam diariamente (e eu queria tanto que todo esse roubo fosse coisa do Partido dos Trabalhadores, pois seria mais fácil sanar esse terrível câncer da nossa estrutura política e econômica). Mas, para falar a verdade, acho que o castigo é pouco... Depois que nossa máxima política passou a ser "pior que está não fica", dita por um personagem palhaço; nada mais antítese para o eleitor que discute política sem gostar, vota em político pensando que não é; pensa no bem público do próprio umbigo...
Postado por Sérgio Oliveira às 8:50 AM Nenhum comentário:
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terça-feira, fevereiro 14, 2017

DESCONECTADO: O Monge que era executivo

 

Há tempos não falo sobre administração. Curiosamente ser minha formação acadêmica a matéria que eu menos aprecie. No entanto, sempre é bom relembrar um pouco a trajetória de sinceros quatro anos de estudo. Então, foi nessa toada que resolvi ler O Monge e o Executivo. Vou confessar que o título me chamou mais atenção do que o conteúdo, pelo menos a princípio. Seria interessante ver revelada a questão transcendental que anda tomando conta dos estudos das relações humanas.

Considero que a formação de administrador de empresas deveria ser alterada para Ciências da Organização, ou coisa parecida. A teoria (visão) da administração é um estudo relativamente novo, comparado com áreas como psicologia e sociologia. Por ser nova, parece ser compreensível haver poucas mudanças em conceitos tão importantes. A liderança é um deles. Ler qualquer livro sobre liderança é compreender sempre mais do mesmo. Não foi diferente agora.

Mas uma coisa chamou atenção no balaio de gato criado pelo autor. Uma delas é a forma da criação do cenário onde seria exposta a “aula” sobre liderança. Nele temos a diversidade de personagens arquétipos: militar, enfermeiro o executivo; entre outros. Do outro lado a tentativa de universalizar o conhecimento e a prática religiosa e acadêmica: reitor, monge, irmão e pastor. O livro não fala sobre religião, mas tenta decifrar a questão da espiritualidade ou da existência, infelizmente sem ao menos tocar no nome de Goswami.

O ponto forte do livro é a corajosa comparação da liderança com um dos maiores líderes espirituais: Jesus Cristo. Não dá para contra-argumentar sua analogia, quando diz que Jesus de Nazaré demonstrou a práxis da liderança, e que ainda hoje conduz alguns milhares de pessoas em seu propósito. A melhor parte do livro, pois o modelo é sincero e correto. Em poucas oportunidades na vida acadêmica teremos tal experiência, que nos conduz ao modelo religioso, sem ao menos pensar em religião. Assim, a parte que alguns céticos (como o militar do livro) torcem o nariz, é onde podemos tirar o exemplo mais magnífico de uma liderança.

O ponto negativo, e existem muitos, é a falta de pontaria num assunto que na época do lançamento do livro era uma questão discutida, comentada e analisada por várias frentes do conhecimento humano: as múltiplas inteligências. Apesar de deixar intrínseco o conceito de inteligência emocional, existencial e as demais inteligências analisadas por Gardner; o autor ignora a oportunidade de trazer para mais perto o título do livro: O monge realmente participando da orientação de um executivo.

Essa dicotomia, que seria fenomenal, brilhante e realmente esclarecedora; ficou apagada entre os diálogos quase infantis dos personagens. A metáfora que o título propunha ficou esquecida em todo o andamento da história. Que metáfora é essa? Que dicotomia? Ora, monge que trata das coisas espirituais, metafísicas; transcendentais. Monge o abstrato que liberta dos apegos, que faz desaparecer o ego. Enquanto o executivo é o pragmático, o concreto; o lucro, os dividendos; a ação direta, objetiva e momentânea do ser humano.

Os diálogos e os exemplos poderiam ser mais ricos, por causa disso tudo.

Assim, o livro é uma ótima diversão; traz conceitos interessantes sobre a nova administração (já que não existe ainda outra teoria administrativa, apesar de termos modelos contemporâneos); mas que fala muitas coisas que os administradores saberão decifrar em poucas linhas, quando se formarem e tirarem boas notas. Saber decifrar é diferente de vivenciar: é a moral que fica da história dessa história.




 (Texto que escrevi em 2009 para o Site INFORMAÇÃO VIRTUAL)
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sexta-feira, fevereiro 10, 2017

10 DE FEVEREIRO 2017



Acho que é o meu primeiro texto escrito diretamente aqui como um diário. Não tenho idade para isso, tampouco admiro tal forma de publicação, mas considerando que é a única maneira de me expressar, farei sem peso na consciência. Costumeiramente faço os textos e publico no Facebook. Acontece que de um tempo para cá tem me incomodado muito ficar horas e horas navegando pela rede social. Alguma coisa me diz, lá na intimidade; que ando perdendo meu tempo, perdendo amizades; ao invés de construí-las. É tenso deparar com situações que não podemos lutar; ou situações de pessoas consideradas intolerantes. 

Será que estou perdendo minha capacidade de tolerar a diferença?


De alguma forma, por um descuido de quem formula os algoritmos dentro daquele programa genial, algo me faz deparar sempre com os mesmos assuntos, mesmas piadas e mesmos comentários. Tudo bem, chega a ser engraçado a participação desses pessoas, mas num determinado momento cansa. Eu também me considero um sujeito cansativo, as pessoas devem odiar minhas postagens, às vezes com textos longos, em outras ocasiões trago músicas que andei pesquisando pelo youtube. Mas com uma boa dose de camaradagem, acabam curtindo.

Não sei se a ideia de escrever aqui irá vingar, pelo visto não. Mas dei o primeiro passo para não mais sobrecarregar meus amigos na rede..

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sexta-feira, janeiro 27, 2017

DESCONECTADO: É bolacha!


Dezesseis ou novecentos; tanto faz. A idade hoje não define a cidade. Alias, nada define. Somos todos tão diferentes, de todos os lados e de todos os mundos; que às vezes acho que não temos nenhuma identidade. Somos essa mistura, que muitas vezes juntos, misturados. Mas em grande parte do tempos somos solitários. Não há nesse país gigantesco um povo tão solitário quando o paulistano. É duro admitir que preferimos andar em silêncio, do trabalho para a casa e da casa para o trabalho. Puxamos, vai saber, a inexistência afetiva dos povos europeus, que pouco se abraçam. Mas dentro de todos nós, aqui na cidade que é cinza, um pouco de cada estado e um pouco de cada país, nos fazendo diferentes e únicos. Um pouco também do interior desse Meu Deus, que nos dá sobrevida nessa vida que nem parece alegre. O paulista salva muitas vezes o paulistano, com sua maneira de ver o mundo, sua velocidade de fazer as coisas, seu modo de se abraçarem.
Temos defeitos, muitos defeitos. Suponho que temos mais defeitos que qualidades, mas como eu disse anteriormente, não temos identidade. Camaleão de si mesmo, paulistano às vezes parece uma coisa e não é. Já vi engravatado Zen, espiritualizado ao extremo. Já vi pobre, assalariado e maltrapilho capitalista, dos capitalistas que só abrem a boca para falar de ganhos e perdas do dinheiro, não exatamente o que o dinheiro pode trazer. Já vi paulistano colocando ketchup na pizza. Vi paulistano que odeia pastel de feira. Vi paulistano que adora o plural. Vi paulistano que não entende o significado quando se diz terra da garoa. Vi paulistano com sotaque árabe, indígena, italiano e chinês. Vi paulistano que não se considera paulistano e quer fazer de tudo para sair da cidade, mas morre aos noventa e sete anos sem pelo menos ter tentado.
Temos defeitos e os outros sabem. Povoam as mentes dos irmãos das outras cidades que, sendo paulistano, é melhor ficar esperto, pois paulistano mesmo é muito egoísta Egocêntrico, soberbo, intolerante e qualquer coisa que valha ao suprassumo do ser humano profissional, conhecedor de todas as causas e de todos os direitos, experiente em guerrilha urbana e devastador nas discussões políticas. Paulistano deveria ser banido pelas autoridades competentes, pensam alguns. Mas vamos com calma, pensem um pouco, não acabem conosco, temos defeitos, mas temos algumas qualidades. Não quer saber quais? Estamos ai para dizer, marque um horário qualquer, temos bares, restaurantes e qualquer canto dessa cidade você pode comer qualquer coisa, ver qualquer exposição; libertar-se de uma vida cotidiana.
Falamos diferente é verdade. Um sotaque que só de longe se sabe. Erres, porteiras e portões. Temos dificuldade com o plural. Temos dificuldade de nos expressar, embora todos paulistanos falem pelos cotovelos. Temos uma paixão exagerada pelos bares abertos, embora tudo em São Paulo fique sempre muito escondido e muito fechado: alguém vai te levar para conhecer o bar daquele português que faz uma feijoada maravilhosa, mas que ele não sabe o endereço, nem o nome do português e nem o nome do bar. Vá com fé, quando gostamos de um lugar, costumamos repetir exaustivamente. Só desconfie quando alguém chamar você para um baile na favela, um churrasco na laje, essas coisas em São Paulo só acontecem com pessoas muito íntimas. Passear de metrô, vá, pode ser legal. Mas passear de ônibus, jamais. Paulistano odeia qualquer transporte coletivo quando não é necessário, embora ame o metrô, que na verdade chama metropolitano. Aqui tudo é muito longe, tudo demora; tudo exige uma parcela enorme de paciência. Zona Sul, Norte, Oeste e Leste são subdividas. Há quem more a vida inteira na Zona Norte e não saiba nem a direção da Zona Sul. Os bairros são como divisões territoriais.
Estamos comemorando. Temos muito realmente que comemorar. Viver em São Paulo exige uma prática desumana. Temos que ser um pouco de máquina que não para nenhum momento, e se precisa de reparo, tem que ter a data certa e o horário certo. Comemos rápido, mas quando temos oportunidade em demorar, o almoço demora três ou quatro horas. Bebemos muito, festejamos de madrugada, poucas horas do despertador tocar para mais um dia de batente. Somos trabalhadores, mas adoramos um dia de preguiça. Somos individualistas, mas adoramos ser solidários. Somos solitários, mas temos muitos amigos. Adoramos a natureza, mas vivemos de ir ao shopping. Adoramos literatura, arte, samba, música, rock, comida mexicana, virado à paulista, pão de queijo e um bom café, adoramos mate, ervas aromáticas nos banheiros. somos todos tão normais, que nem parece que vivemos em São Paulo.
Aqui comemos bolacha, meu! Sempre será bolacha qualquer tipo de bolacha que você tenha a capacidade e insistência em chamar de biscoito. Venha conhecer São Paulo e seus lugares maravilhosos e limpos; não se irrite com os lugares sujos e cinzas. Moramos numa espécie de megalópole Yin e Yang. Venha nos conhecer, mas releve nossa prepotência, por favor. Verá que pode existir amor em SP. Existirá amizades legais em São Paulo. E jamais, em hipótese alguma, chame biscoito de bolacha e São Paulo de Sampa. Isso acaba com qualquer domingo com macarronada.

(Texto em homenagem aos 463 anos de São Paulo)
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sexta-feira, janeiro 06, 2017

Escurece


Naquela noite, de sono terrível;
o sono que não veio; do jeito,
da cor e do som que eu prefiro.

Nas horas que conto sozinho, 
cada ponteiro é picada de inseto
que com veneno alimenta o corpo,
e o pensamento tão inútil e incerto.

Naquela noite, escurece ainda mais
aquilo que vejo, e ouço e sinto, mas
prefiro silenciar nas horas incertas;
de cada ponteiro como veneno, que
alimentando-se do corpo, tão inútil
vê no sono, ainda que sem encanto;
cantar ao infinito todos os sofrimentos.

Requer sabedoria não aceitar o sono,
como aquele sono que não teve jeito,
de não ver as horas que passam, e 
não ouvir o ponteiro que fica; e sozinho,
não alimentar o pensamento de viver,
tão inútil, incerto é qualquer vida, depois
da mordida lenta e sem cor desse inseto.




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domingo, dezembro 11, 2016

DESCONECTADO:Minhas 20 Melhores bandas internacionais (Parte 2)

 

Seguindo a publicação anterior, trago agora mais duas bandas que considero entre as vinte melhores de todos os tempos. Joy Division por toda importância história e pela música em si. Concordo que não é uma música fácil de escutar, e que muitas vezes causa mais estranheza para quem encara a música como um divertimento. Outro grupo é o U2. Antes mesmo da postagem já recebi algumas críticas em relação ao seu posicionamento: afinal um grupo como esse não pode estar na 17o. colocação. Como eu disse na minha primeira postagem, a colocação não é muito relevante no momento, pois obedece apenas o critério pessoal.



18  - Joy Division

Inglaterra – (1976/1980) – Discografia - Unknown Pleasures (1979) e Closer (1980)

Outro grupo clássico. Para quem nunca ouviu falar, principalmente os mais jovens que estão lendo esse texto; dêem uma olhada em algumas apresentações do Legião Urbana, saberão que Renato Russo foi um dos grandes fãs da banda inglesa. A produção desse grupo é fácil encontrar, tirando algumas gravações raras, basicamente sua discografia está resumida em dois grandes álbuns: 1979 e 1980. Mas as músicas são tão intensas, as letras tão magnificamente pavorosas; que realmente não é necessário que fosse produzido mais nada.

Closer é um disco sombrio e triste. Na prática pode ser considerada uma obra póstuma, já que foi lançado após o suicídio do vocalista Ian Curtis. O clima das músicas é desagradável para pessoas que querem se divertir; pensar nos prazeres da vida; ou que adoram repetir a máxima do carpe diem. As músicas dão um teor pessimista ao futuro, as nossas angústias e nossos sonhos. No entanto, é repleta de poesia, de arte e principalmente da cruel máscara dos erros humanos.

Quem quiser conhecer que procure toda obra. Procure letras, a história do grupo. Inclusive um filme gravado em 2007, “Control”.

“Procissão continua, a gritaria acabou. Louvar para a glória dos amados que agora já foram. Conversando alto enquanto eles vão sentando ao redor de suas mesas, flores espalhadas lavadas pela chuva..” -  (The Eternal).

Procure os álbuns: Toda discografia (fácil, apenas dois discos). Mas uma dica: Sirva-se dos melhores sentimentos para encarar a solidão, o romantismo e o desespero proposto pelo grupo.


17 – U2

Irlanda (1976 – presente) – Discografia: Boy (1980) - October (1981) - War (1983) - The Unforgettable Fire (1984) - The Joshua Tree (1987) - Rattle and Hum (1988) - Achtung Baby (1991) - Zooropa (1993) - Pop (1997) - All That You Can't Leave Behind (2000) - How to Dismantle an Atomic Bomb (2004) - No Line on the Horizon (2009)

Esse grupo foi uma das maiores dúvidas em relação a lista. Não que eu tive dúvida em relacioná-la aqui, mas em relação à sua disposição. Uma das bandas mais importantes do cenário musical, com um enorme número de fãs espalhados por todo mundo, parece merecer um ranking melhor. Outra nota favorável: dentre os relacionados nesta lista; é um dos poucos que conseguem agradar vários públicos. Desde quem gosta de rock, como de pessoas que gostam de música mais comercial (ou pop, como queiram). E mesmo assim, U2 não é um grupo comercial, mas sabe ser popular mesmo sendo interessante. Acho que o ponto mais alto do grupo é o vocalista, que curiosamente significa “Boa voz”; que era seu apelido quando adolescente, já que ninguém gostava muito de vê-lo cantando.

E com tantos adjetivos maravilhosos, como ele ficou nesse lugar? Pois bem. Quando eu disse que analisaria várias informações sobre a banda, e mesmo a questão do gosto pessoal; o grupo perde alguns pontos que poderiam tê-lo ajudado. O grande pecado do grupo foi quando decidiriam agradar uma gama de fãs que não existiam: é vergonhosa a fase da banda dançando “lemon” com aqueles óculos coloridos. Até mesmo o álbum Achtung Baby, tão apreciado pelos fãs da banda, não é do meu gosto pessoal. Concordo que The Edge está numa das melhores fases melódicas, mesmo assim é um álbum que não entra muito na minha lista de favoritos no computador. Os anos de discotheque me fez rebaixar uma banda importante como U2.

Com a retomada com All That You Can't Leave Behind foi importante não apenas para o grupo, mas eu acho que muito melhor para a música: sim, é possível fazer música de qualidade que possa ser tocada em qualquer lugar, em qualquer parte do mundo! Os dois álbuns seguintes trazem a mesma receita (ou receituário), de um rock pop simples, direto e muito bem feito.


Procure os álbuns: Boy - War - The Joshua Tree - Rattle and Hum - All That You Can't Leave Behind
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sexta-feira, dezembro 09, 2016

DESCONECTADO:Minhas 20 Melhores bandas internacionais (Parte 1)

 

(Postei esse texto pela primeira vez no site INFORMAÇÃO VIRTUAL em 2010)


Relutei muito em escrever esse texto. O tema sempre passou pela minha cabeça, mas nunca tive coragem de esboçar qualquer idéia. Se vocês não sabem, roqueiros adoram fazer listas. Desde melhor baterista, melhor capa; piores músicas e assim por diante. Eu, como não sou diferente, fiquei imaginando como seria uma hipotética lista das minhas vinte maiores bandas de todos os tempos. Não é um assunto fácil, principalmente para quem gosta e se envolve com música até o último fio de cabelo. Mas botei a cara!

Antes de colocar os nomes no papel eu precisei definir um critério. Gosto pessoal? Técnico? Vendagem? Como decidir entre as melhores? Pior ainda: como ordená-las? E com certeza essa parte é a que causará maiores transtornos para mim e para os leitores. Mas não liguem muito para a ordem, a sua importância é fundamental apenas para mim; não para vocês. Aliás, falando a verdade, nem a lista terá qualquer importância. Mesmo assim, considerei divertida a elaboração, espero que seja também a sua leitura. Pois bem, acabei definindo que os critérios são pessoais e intransferíveis. As vinte bandas relacionadas são exatamente as vinte que eu mais gosto e ponto final. Podem concordar ou não com ela, para isso servem os comentários. E o legal disso é exatamente a discussão, a troca de idéias e expressar o que sentimentos por cada uma delas.

Decidi também que a análise seria por toda a obra, não apenas por uma ou duas músicas chamadas clássicas, ou “as mais conhecidas” no dito popular. É claro que para isso eu precisaria conhecer todo material produzido pela banda, e foi exatamente o que eu fiz: conhecer todo material produzido, ou quase todo. Outro critério que eu utilizei foi o histórico: eu precisaria conhecer um pouco do grupo e qual o significado que eles tiveram para a música. Isso foi feito em duas ou três pesquisas na internet. 

A lista saiu. É claro que se modificará com os anos. Hoje mesmo, lendo o que escrevi e estou publicando, já torci o nariz para algumas coisas. Portanto a lista não é estanque, não é tratado; é apenas uma idéia do que eu gosto; das coisas que eu acho que as pessoas precisam conhecer.  Nada além disso. Mais do que certo ou errado, é apenas uma opinião de um fã qualquer.

A relação começa.



20 – Echo and The Bunnymen

Inglaterra – (1978 – Atualmente) – Discografia Estúdio: 1980 (Crocodiles) -   1981 (Heaven Up Here) - 1983 (Porcupine) - 1984 (Ocean Rain) – 1987 (Echo & the Bunnymen) – 1990 (Reverberation)  - 1997 (Evergreen) – 1999 (What Are You Going to Do with Your Life?)  - 2001 (Flowers) – 2005 (Sibéria) – 2009 (The Fontain).

A escolha desse grupo tem um lado muito pessoal. Numa época não muito distante, eu praticamente escutava todos os dias o álbum de 1980 e 1984. O grupo é conhecido pela música The Killing Moon de 1984. É uma das bandas mais cultuadas pelos grupos atuais do pop britânico. O grupo sumiu durante o período (pelo menos para mim), quando, de repente, aparece com um dos melhores álbuns do começo dos anos 2000: Flowers.

Procure os álbuns: Heaven Up Here - Ocean Rain - Flowers


19 – The Cult

Inglaterra – (1984 – Atualmente) – Discografia Estúdio: Dreamtime (1984) - Love (1985) - Electric (1987) - Sonic Temple (1989) - Ceremony (1991) - The Cult (1994) - Beyond Good and Evil (2001) - Born Into This (2007) - Capsule (2010)

Outro grupo que tem um significado histórico para mim. Os discos de 1984, 1985 e 1987 não saiam da minha vitrola (essa palavra revela minha idade). O grupo passou por diversas fases em poucos anos, por isso quem escuta os primeiros trabalhos terá dificuldade em acreditar tratar-se do mesmo grupo. Saindo do punk para o gótico até o mais puro rock and roll. Esse é o resumo dos três primeiros trabalhos. Posteriormente tiveram uma fase mais hard-rock, fase em que o grupo fez mais sucesso. Reconhecimento mundial com She Sells Sanctuary. Não gosto muito da fase iniciada em 1994 e dura até hoje, por isso sua colocação na lista. Tivesse existido os quatro primeiros álbuns somente, o grupo estaria entre as cinco melhores.

Procure os álbuns: Love -  Electric.





Continua....
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sexta-feira, outubro 28, 2016

DESCONECTADO: Fraternidade, Igualdade e Liberdade

 

Na Revolução Francesa, um dos maiores movimentos contemporâneos, um lema foi determinante no processo de ruptura com o modelo social e econômico. Uma mudança que trazia ao centro da sociedade um novo integrante: a burguesia. Nasce um movimento político que tinha como base uma nova construção socioeconômica. Na revolução diziam: nada valerá a liberdade se não houver igualdade. E posteriormente: a fraternidade, que é o amor entre os irmãos humanos no planeta, é vital para a revolução. Assim, eternizou a expressão: liberdade, igualdade e fraternidade, ou em sua língua pátria: Liberté, Egalité, Fraternité.

No entanto, viu em ruínas seu propósito quando a liberdade da revolução foi também a construção de cadeia aos opositores. Quando a igualdade entre os seres se perdeu na elaboração de uma rede de privilégios deixando exposta a fragilidade dos meios econômicos e consequentemente sociais. Viu também a fraternidade se deteriorando nessa desastrosa compilação de conceitos e meios, justificados como modernos, mas com viés extremamente individualistas.

Se muitas conquistas da humanidade nasceram na Revolução Francesa, algumas controvérsias mostraram que a prática de uma teoria perfeita ainda estava longe de ser uma realidade confortável. Sequelas de uma liberdade condicional, uma igualdade elitizada e uma fraternidade seletiva são protagonistas numa sociedade arrogante, violenta, ambiciosa e desumana que ainda parece ser uma chaga na sociedade moderna.

A resolução para tal enigma tinha aparecido há dois mil anos, com uma revolução mais libertária, igualitária e fraterna: o Evangelho de Cristo. E para tal, se analisarmos a lição vanguardista que ele apresentou, diremos que os conceitos na Revolução Francesa já tinham sido revelados por Jesus de Nazaré, mas com uma diferença simples, mas que modifica toda a relação do homem com ele mesmo e com o planeta onde vive. Jesus trás, com seu Evangelho, a noção de fraternidade, igualdade e liberdade. Isso mesmo, em ordem inversa. Em ordem que estimula muito mais o amor entre as pessoas, pois é no princípio dessa relação humana que aflora as demais necessidades, de sermos iguais e notoriamente livres.

A fraternidade é o principal item das relações humanas, por isso ele deveria vir em primeiro lugar. Ele é o fim do egoísmo. A fraternidade determina que o outro é tão importante quanto a nós mesmos. O outro requer cuidado e atenção. O outro é o mais próximo mesmo quando está distante. O outro é filho de Deus, mesmo em seus erros que parecem imperdoáveis. O outro é espelho de nós mesmos na construção da humanidade. O outro não se difere em nada daquilo que eu sou. O outro é a peça mais importante na construção da minha vida, ele dá a sustentabilidade para quem eu sou. Ninguém vive sozinho, e quando reconhece no outro a si mesmo, reconhece sua própria criação. Por isso Jesus pediu a reconciliação com o inimigo, por isso não deixou que abandonássemos os mais necessitados: de saúde, de condições financeiras, morais e psicológicas. Por isso pediu para amarmos uns aos outros.

E quando vemos com fraternidade "o outro", não existe nenhuma condição que interfira no tratamento igualitário. A igualdade é a equiparação da essência, embora não seja na forma. A igualdade é criar condições mais justas possíveis na realização pessoal. Evidente que a igualdade não pode determinar que pessoas sejam iguais. Neste mundo de preparação, de aprendizado; diferentes formas e meios são construídos no cotidiano. A igualdade não é absoluta naquilo que estou, mas só poderá existir naquilo que sou. As diferenças externas não podem parametrizar a igualdade interna. A essência divina, naquela proposta milenar do namastê, é exatamente a aceitação da igualdade divina entre os diferentes, e somente dessa maneira, olhado para dentro de cada um, acharemos a maneira de equipar oportunidades onde predomina tanta diferença.

Como recriar a igualdade interna na relação externa? Como determinar a igualdade micro na justiça macro? Talvez a fase mais complicada na nossa atual existência. Requer o conhecimento das ligações humanas que ainda não estão nitidamente desenvolvidas. Há, nos estudos esotéricos e filosóficos, a ideia da ligação universal e ininterrupta dos seres no planeta, essa ligação pode ser estudada no "efeito borboleta", que é a relação entre os fenômenos; ou na mais contemporânea "internet", que conectou pensamentos, ainda que em condições artificiais. O fato é que os seres humanos estão se preparando para essa conexão avançada, incondicional e universal. E assim, em suas individualidades, cooperarão para a igualdade criadora. Eu e o Pai somos um; seremos irmãos pelo mesmo Pai.

Ao determinar Jesus que somos uma família universal, que devemos nos conciliar com os inimigos, que não existe diferença na essência humano, embora diferenças nos fenômenos; disse-nos que os maiores problemas estariam resolvidos se amassemos uns aos outros, fraternalmente. Essa segunda proposta, que é a fraternidade; auxiliará na construção de uma ordem mais igualitária entre os homens, mesmo em suas aparentes diferenças.

A fraternidade aflorando e a igualdade, por meio do amor se equilibrar; haverá um outro campo de conceito complexo sendo harmonizado em nossas experiências humanas: a liberdade. É claro que não esmiuçarei a liberdade como ela merece, posto que o assunto requer tantos outros conceitos que não cabem aqui nesse texto. Mas uma coisa fica evidente: a liberdade é formada por escolhas; assim, quanto maior nossa visão sobre a vida humana e consequentemente tudo aquilo que permeia a existência, maior será as opções para a liberdade. A liberdade é maior quanto maior forem nossas opções, até se tornarem de tal forma incondicionais.

Exatamente por isso, quando temos o amparo das relações humanas, baseadas na relação do amor universal, teremos a verdadeira liberdade. Liberdade não é, portanto, fazer aquilo que se quer. Como Paulo de Tarso que disse: tudo posso, mas nem tudo convém; colocando frente a frente a liberdade real e a relativa. A liberdade relativa só terá o “caráter libertador” quando percebermos que nela há a submissão somente pela voz interior, ou como disse Ghandi, a “voz suave” (ou ditador interno). E Deus como “carta magna” transforma aquilo que parece impositivo, numa licença para viver, escolher e principalmente ser livre. A liberdade que parece relativa, em Deus, torna-se uma Liberdade Absoluta.

Assim, quando tomamos o Evangelho de Cristo como norte em nossas ações, teremos a metafísica do seu ensinamento moldando nossas ações; ou seja, seremos fraternos (Fraternidade) para criar a igualdade entre os homens (Igualdade) e faremos isso por nossa própria decisão (Liberdade). Tudo isso demonstra uma inversão não apenas dos valores, mas dos conceitos básicos apresentados na Revolução Francesa. Enquanto a Revolução de Cristo é fraterna, igualitária e libertária; com sua decisão pelo reino metafísico onde as pragas não corroem; a revolução burguesa dá a liberdade que se estabelece dentro de um jogo social, cria uma igualdade em oportunidades diferentes; mostra-nos que a fraternidade é o bem-estar reduzido ao pequeno número seleto de uma família ou comunidade.

Portanto, das duas revoluções, eu prefiro acreditar naquela que começa numa completa e irrestrita reforma íntima.



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Postado por Sérgio Oliveira às 1:14 PM Um comentário:
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