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O abandono é qualquer momento.
Noite, madrugada e dia.
Sumir correndo em rebeldia, negar
qualquer culpa e sofreguidão;
partir sem deixar vestígios.
O rastro, apagado pelo incêndio,
desfeito pela chuva; em vão,
a pegada infinita dos caminhos.
O abandono não queixa testemunha,
Nem parentes, nem desculpas.
O abandono, por si, é moléstia.
Para todos nós, recompensa.
Enraizados no desamparo,
sumidos, exorcizados; tristes.
Solitário como prêmio macabro,
da cabeça na parede,
na ausência do corpo que sustente.
Enfim, procuro meu descaso
Do víeis disforme, doentio
E nele procuro minha companhia
Do grito sufocado na garganta,
Do amor que não partiu...
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terça-feira, setembro 29, 2009
sexta-feira, setembro 11, 2009
Aos Amores
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Estou com uma ferida enorme
Nasce no braço, não sei onde termina.
Estive pensando que essa dor,
Que não existe ainda,
Era essa ferida enorme.
Os olhos podem vê-la pulsando.
Essa ferida estranha e insensível.
Que percorre a barriga, desce
Até a ponta do pé, queimando.
Eu estaria voando, mas a ferida...
Ela lateja, incomoda; estaciona.
Então eu peço que me ajude,
Com essa ferida terrivelmente feia.
Mas da minha boca, a ferida que cresce
Diz palavras que ninguém consegue decifrar.
A ferida enorme, que nasceu no braço;
Criando pus no canto da boca,
me afago...
Eu seria vivo, mas a ferida....
Então, vou assim desse jeito.
E a ferida tomando conta,
Às vezes sendo eu mesmo.
E o que nasce no braço, e não sei
onde termina, vira um pouco de mim
que sufoca a ferida.
Ela estaria morta.....
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Estou com uma ferida enorme
Nasce no braço, não sei onde termina.
Estive pensando que essa dor,
Que não existe ainda,
Era essa ferida enorme.
Os olhos podem vê-la pulsando.
Essa ferida estranha e insensível.
Que percorre a barriga, desce
Até a ponta do pé, queimando.
Eu estaria voando, mas a ferida...
Ela lateja, incomoda; estaciona.
Então eu peço que me ajude,
Com essa ferida terrivelmente feia.
Mas da minha boca, a ferida que cresce
Diz palavras que ninguém consegue decifrar.
A ferida enorme, que nasceu no braço;
Criando pus no canto da boca,
me afago...
Eu seria vivo, mas a ferida....
Então, vou assim desse jeito.
E a ferida tomando conta,
Às vezes sendo eu mesmo.
E o que nasce no braço, e não sei
onde termina, vira um pouco de mim
que sufoca a ferida.
Ela estaria morta.....
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quarta-feira, setembro 09, 2009
Lápis
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Da minha infância,
Qualquer erro e descaminho.
Lápis, da pedra que risca o chão,
Da pedra, que dá seu nome,
Rabiscados sem motivo.
Era um poema,
E eu não sabia de quem.
Que me representa no papel branco.
Que me faz cores, na carreta;
Na igreja, no caminhão e céu.
O lápis que contorna minha casa,
Protegendo-me de fantasmas,
Que o lápis não consegue desenhar.
O lápis, que era minha espada,
Hoje não existe mais.
Da minha infância,
Era tão fácil ser feliz para sempre.
E escrever para sempre,
E decidir que para sempre existirá.
E da pedra, que tirei o nome,
numa pedra filosofal tão mais simples.
Que ficou para trás.
Era meu modo fácil de apagar a memória.
E representar no papel branco,
O que hoje não sinto mais.
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Da minha infância,
Qualquer erro e descaminho.
Lápis, da pedra que risca o chão,
Da pedra, que dá seu nome,
Rabiscados sem motivo.
Era um poema,
E eu não sabia de quem.
Que me representa no papel branco.
Que me faz cores, na carreta;
Na igreja, no caminhão e céu.
O lápis que contorna minha casa,
Protegendo-me de fantasmas,
Que o lápis não consegue desenhar.
O lápis, que era minha espada,
Hoje não existe mais.
Da minha infância,
Era tão fácil ser feliz para sempre.
E escrever para sempre,
E decidir que para sempre existirá.
E da pedra, que tirei o nome,
numa pedra filosofal tão mais simples.
Que ficou para trás.
Era meu modo fácil de apagar a memória.
E representar no papel branco,
O que hoje não sinto mais.
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terça-feira, setembro 08, 2009
Renascimento
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Assopro o fogo, desisto.
Da vela na mesa, sem morto.
Rezo pelos dias que passam.
E os pesadelos que ficam.
Nos meus olhos, o rosto encoberto.
Não é paixão, mas arde.
Desconheço o caminho confuso,
E da vida nem preciso de dinheiro.
Mas num momento tortuoso,
Em que a fome bate no estômago;
Dane-se a imagem das palavras,
As delicadezas rimadas,
E o sentimento quase falso.
O poeta morre quando a vida começa.
E o fósforo de novo, como guia.
A cruz na lapela como escudo.
E se ouço tantos outros sofrimentos,
Percebo tarde que não resisto.
Tomem meu corpo, alma e sonhos.
Façam o que quiserem no eu desnudo.
Que o mundo me amordace sem receios,
Mas que não me tirem a música do poema.
Desconheço minhas falas desde ontem,
E dano-me na palavra sem regalo.
Ora o poeta visto em forma;
Agora o homem disfarçado,
Sem sentimentos......
O homem renasce onde o poeta morre.
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Assopro o fogo, desisto.
Da vela na mesa, sem morto.
Rezo pelos dias que passam.
E os pesadelos que ficam.
Nos meus olhos, o rosto encoberto.
Não é paixão, mas arde.
Desconheço o caminho confuso,
E da vida nem preciso de dinheiro.
Mas num momento tortuoso,
Em que a fome bate no estômago;
Dane-se a imagem das palavras,
As delicadezas rimadas,
E o sentimento quase falso.
O poeta morre quando a vida começa.
E o fósforo de novo, como guia.
A cruz na lapela como escudo.
E se ouço tantos outros sofrimentos,
Percebo tarde que não resisto.
Tomem meu corpo, alma e sonhos.
Façam o que quiserem no eu desnudo.
Que o mundo me amordace sem receios,
Mas que não me tirem a música do poema.
Desconheço minhas falas desde ontem,
E dano-me na palavra sem regalo.
Ora o poeta visto em forma;
Agora o homem disfarçado,
Sem sentimentos......
O homem renasce onde o poeta morre.
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sexta-feira, agosto 28, 2009
Espaço branco
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Em vão, clamado, recuo.
Não quero ninguém, ameaço.
Desistiria da vida,
com argumentos improváveis.
Prefiro o silêncio do quê ignorado.
E o pensamento atrofia,
Inconsciente, desiste de tudo.
Como um parco, alguém me vê.
Chama-me pelo nome: eu percebo.
Quer de mim mais alguma coisa?
Já basta a história mal acabada.
E o vão, a chama da incerteza.
Acaba com alguém que ignoro.
Insistiria no improvável, se tudo.
Mas prefiro o silêncio, o silêncio...
E a vontade que eu queria,
Atrofiada no peito, insiste.
Um barco à deriva em mim, resiste.
No pensamento quer alguma coisa
Da história inacabada:
Já não bastam todos os poemas de mim?
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Em vão, clamado, recuo.
Não quero ninguém, ameaço.
Desistiria da vida,
com argumentos improváveis.
Prefiro o silêncio do quê ignorado.
E o pensamento atrofia,
Inconsciente, desiste de tudo.
Como um parco, alguém me vê.
Chama-me pelo nome: eu percebo.
Quer de mim mais alguma coisa?
Já basta a história mal acabada.
E o vão, a chama da incerteza.
Acaba com alguém que ignoro.
Insistiria no improvável, se tudo.
Mas prefiro o silêncio, o silêncio...
E a vontade que eu queria,
Atrofiada no peito, insiste.
Um barco à deriva em mim, resiste.
No pensamento quer alguma coisa
Da história inacabada:
Já não bastam todos os poemas de mim?
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quarta-feira, agosto 26, 2009
Cartas ao Vento 028
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Não há mais amor. Amor que se pode compartilhar. Amor incondicional. Amor do lirismo infeliz dos poetas. O amor da contradição, dos gestos impensados de ciúmes, ou do abraço instintivo da posse. O amor que compreendíamos em duplicidade: felicidade e tristeza. Não existe mais: o amor dos apaixonados, esse amor que mais destrói do que edifica; esse amor inconseqüente. Amor da repartição dos louros, e do desfrute caloroso das desgraças. Amor que não é mais caridade do que compaixão. Esse amor não existe mais.
Pois deixamos de temer a solidão. Esse amor do passado que era nosso único remédio para a felicidade, do convívio feliz e complacente. Hoje temos mais: temos os outros, tantos outros que não nos pertencem. Desfrutam da nossa intimidade. Isso é tão perigoso quanto o mais desprezível amor: dizer o que somos em qualquer intensidade. Nossas almas são dilatadas, em alta velocidade. Amor vulnerável em tempo e espaço, nesse amor que não existe mais.
O amor que eu falo, como se fosse qualquer romântico, é amor que ninguém se admira, que todos discordam. Essa morte do amor como se fosse trágico, mas que na verdade é apenas um sentimento distorcido. Amor que continua mágico, eterno e facilitador; que está cada vez mais distante e dilacerado. O amor que eu falo não é o amor de verdade.
Queria falar do amor de verdade, mas ele é inconcebível nos dias de hoje.
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Não há mais amor. Amor que se pode compartilhar. Amor incondicional. Amor do lirismo infeliz dos poetas. O amor da contradição, dos gestos impensados de ciúmes, ou do abraço instintivo da posse. O amor que compreendíamos em duplicidade: felicidade e tristeza. Não existe mais: o amor dos apaixonados, esse amor que mais destrói do que edifica; esse amor inconseqüente. Amor da repartição dos louros, e do desfrute caloroso das desgraças. Amor que não é mais caridade do que compaixão. Esse amor não existe mais.
Pois deixamos de temer a solidão. Esse amor do passado que era nosso único remédio para a felicidade, do convívio feliz e complacente. Hoje temos mais: temos os outros, tantos outros que não nos pertencem. Desfrutam da nossa intimidade. Isso é tão perigoso quanto o mais desprezível amor: dizer o que somos em qualquer intensidade. Nossas almas são dilatadas, em alta velocidade. Amor vulnerável em tempo e espaço, nesse amor que não existe mais.
O amor que eu falo, como se fosse qualquer romântico, é amor que ninguém se admira, que todos discordam. Essa morte do amor como se fosse trágico, mas que na verdade é apenas um sentimento distorcido. Amor que continua mágico, eterno e facilitador; que está cada vez mais distante e dilacerado. O amor que eu falo não é o amor de verdade.
Queria falar do amor de verdade, mas ele é inconcebível nos dias de hoje.
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terça-feira, agosto 25, 2009
Morto
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Venha agora, nesse dia de verão.
Que estarei esperando você.
Sabendo o que precisa ser feito.
Essa sua imagem decadente,
em lances repetidos.
Quem é você em mim agora?
Um desses sujeitos sem concepção?
Esse alguém eu desconheço.
Apesar de estar comigo há tempos.
Esse sujeito sem gestos, sem afinco.
Com olhos tristes e cansados,
Não posso ser esse súdito derrotado.
E o espelho denuncia
a única verdade sobre mim.
Mas venha armado me enfrentar,
pois agora estou disposto.
Mesmo sem ajudante,
que soterra o corpo morto;
quando não existe mais remédio.
Venha com armas, pois verá as minhas.
Em punho como querendo matar.
Escudo de quem precisa se defender.
E cortarei em migalhas esse boçal
de palavras sombrias, insulsas.
Meus olhos tristes matando em mim
esse sujeito que sou eu, maltratado.
Não posso mais ficar derrotado.
E o reflexo foge sem revelar quem é o culpado.
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Venha agora, nesse dia de verão.
Que estarei esperando você.
Sabendo o que precisa ser feito.
Essa sua imagem decadente,
em lances repetidos.
Quem é você em mim agora?
Um desses sujeitos sem concepção?
Esse alguém eu desconheço.
Apesar de estar comigo há tempos.
Esse sujeito sem gestos, sem afinco.
Com olhos tristes e cansados,
Não posso ser esse súdito derrotado.
E o espelho denuncia
a única verdade sobre mim.
Mas venha armado me enfrentar,
pois agora estou disposto.
Mesmo sem ajudante,
que soterra o corpo morto;
quando não existe mais remédio.
Venha com armas, pois verá as minhas.
Em punho como querendo matar.
Escudo de quem precisa se defender.
E cortarei em migalhas esse boçal
de palavras sombrias, insulsas.
Meus olhos tristes matando em mim
esse sujeito que sou eu, maltratado.
Não posso mais ficar derrotado.
E o reflexo foge sem revelar quem é o culpado.
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terça-feira, agosto 04, 2009
Vida em Breve
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Logo estarei bem longe,
não irá demorar muito,
não irá me reconhecer.
Mas ainda não quero despedida.
.
Irei andar no universo,
não sei ainda se sozinho;
quem sabe antepassados,
outros amigos.
Só sei que você não irá comigo.
.
Logo estarei longe.
Foi bom encontrar você,
como se fosse eterno,
nosso desentendimento,
nossas coisas indo embora:
palavras, sussurros e promessas.
.
Irei lembrar de você, sempre.
Mas não me diga outras
aventuras, nem desejos.
Do mesmo modo que nunca
mais serei eu mesmo;
é certo que também nunca
mais vou reconhecê-la.
.
Logo, estou tão longe.
A vida que parece eterna;
às vezes, parece tola.
E nesse esquecimento,
quando nossa vida desfalece,
se torna tudo mais breve.
.
.
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(2006)
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Logo estarei bem longe,
não irá demorar muito,
não irá me reconhecer.
Mas ainda não quero despedida.
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Irei andar no universo,
não sei ainda se sozinho;
quem sabe antepassados,
outros amigos.
Só sei que você não irá comigo.
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Logo estarei longe.
Foi bom encontrar você,
como se fosse eterno,
nosso desentendimento,
nossas coisas indo embora:
palavras, sussurros e promessas.
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Irei lembrar de você, sempre.
Mas não me diga outras
aventuras, nem desejos.
Do mesmo modo que nunca
mais serei eu mesmo;
é certo que também nunca
mais vou reconhecê-la.
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Logo, estou tão longe.
A vida que parece eterna;
às vezes, parece tola.
E nesse esquecimento,
quando nossa vida desfalece,
se torna tudo mais breve.
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(2006)
quinta-feira, julho 23, 2009
Cova
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A chuva que dói e transmite.
Que não é mais limpa, lamaçal.
Estou sobrecarregado, sem luz.
Estou soterrado, como morto
Em cova profunda e abandonada.
.
Consigo mostrar minhas mãos,
Como quem pede socorro.
Mas o rosto, encoberto.
E a alma que tenta submergir,
Como ferida, deprimida
Inútil.
.
A chuva cai, alagando a vida.
Não há salvação, quando
Não se espera outra coisa.
A água empossada arrebenta
Mata e salva.
.
As mãos voltam para a terra
E a lama emudece os lábios
e pressiona o peito:
o que parece matar, renova.
.
De repente, a chuva que foi embora
limpou-me da tristeza.
Na cova apenas o lago,
Onde os peixes nadam,
E onde eu me vejo num único reflexo.
.
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A chuva que dói e transmite.
Que não é mais limpa, lamaçal.
Estou sobrecarregado, sem luz.
Estou soterrado, como morto
Em cova profunda e abandonada.
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Consigo mostrar minhas mãos,
Como quem pede socorro.
Mas o rosto, encoberto.
E a alma que tenta submergir,
Como ferida, deprimida
Inútil.
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A chuva cai, alagando a vida.
Não há salvação, quando
Não se espera outra coisa.
A água empossada arrebenta
Mata e salva.
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As mãos voltam para a terra
E a lama emudece os lábios
e pressiona o peito:
o que parece matar, renova.
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De repente, a chuva que foi embora
limpou-me da tristeza.
Na cova apenas o lago,
Onde os peixes nadam,
E onde eu me vejo num único reflexo.
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terça-feira, julho 14, 2009
Cartas ao vento 027
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Na verdade Cartas ao vento hoje não é necessariamente uma carta ao vento, já que vem de uma pergunta concreta: qual dos seus textos você mais gosta (se tivesse que escolher um)? A pergunta é mais interessante que a resposta, como não pode deixar de ser qualquer pergunta. Então, vou tentar responder da melhor forma possível, essa dúvida de alguns e-leitores.
A pergunta é sobre os romances, portanto não devo considerar as crônicas, os poemas e os artigos. Falar sobre futebol, por exemplo, é uma das minhas paixões, onde eu sinto mais prazer. No entanto, tenho plena consciência de que não são meus melhores textos (mesmo dando caráter literário para a maioria deles).
A dúvida sobre qual o texto que mais gosto me fez rever todos que eu escrevi até agora (não coloquei em ordem cronológica): BLOG (da lesma), MOBIL AVE, NATASHA ONLINE, A MÁSCARA DE BEHLE, BRIGA DE FOICE, ULTIMA VISION, 42 PECADOS, MÃO QUE ESCOLHE O CRIME, O MENOR DOS ENCANTOS, MATURA LUX, MATINEE, ROUPA SUJA, NA COVA e VESTE BRANCA (não publicado).
É claro que para todos eles eu tenho uma coisa interessante para dizer, algo especial. No entanto, a pergunta é simples: qual você mais gosta? Poderia ser um cara preguiçoso e dizer que gosto de todos eles, que “considero como um filho” e coisa e tal. Mas tenho minhas preferências: não conseguiria dizer apenas um, mas meia dúzia.
Briga de Foice foi o que eu mais gostei de ler, pois representa mais ou menos minha tentativa com os textos: criar um ambiente meio de roteiro de cinema. Gosto de sua leitura, no entanto, acho a história simples, sem muitas “sacadas geniais”. Assim, ele fica em terceiro lugar da minha lista.
O outro texto é ROUPA SUJA. Afinal, como todo bom leitor de policiais, nada melhor do que escolher um texto policial. Esse texto traz um pouco da seqüência de cinema, coisas com movimentações e cores; mas ao mesmo tempo cria um ambiente psicológico dos personagens, situação que eu mais gosto em todos os meus textos: os personagens são muitas vezes mais importantes do que a própria história.
E por fim, em primeiro lugar: 42 Pecados. A escolha é meio absurda, afinal é um dos meus textos que eu considero mais incompletos de todos. Há assuntos que poderiam ser discutidos nesse texto; o tema que eu achei interessante, e muito utilizado em cinema e em outras publicações literárias. Enfim, um tema que eu gostei de escrever.
Por ser incompleto, e por ser um tema fantástico; achei que foi uma sacada interessante: dos nomes dos personagens, da ambientação, do tema; do clímax. De tudo que o texto simbolicamente representa. Ainda hoje, em várias leituras, consigo ter diversas visões do que eu escrevi: isso para mim é a grande diferencial do texto. (Pretendo reeditar esse texto no futuro, com passagens que deixei de lado na primeira publicação).
É claro, essa ordem não é definitiva. Amanhã mesmo posso mudar de idéia.
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