quarta-feira, novembro 22, 2006

Aridez da Verdade

Silêncio, eu mesmo me enterro;
e nas profundezas me assumo indiferente,
nem água, nem vinho.

O que deveria sentir para deixá-la contente?
Sal que dará virtude ou o doce que trará luxúria?

Um pecado dormente na alma,
e outros sustos com a imortalidade da carne.
Devo mesmo nunca aprender a felicidade,
e dividi-la com todos que não desejo.

Pois imundos todos meus pensamentos, supremos;
que ao invés do apenado, o sujeito cheio de regalo.
Não mereço nada disso, assumo-os diferentes,
nem fogo, nem descaso.

E no silêncio, meu corpo soterrado de contrição,
e leve, feito pluma muito leve voa;
um pássaro qualquer sem direção, sepultando
a divina sensação do medo, de estar morto:
nem sozinho, nem acompanhado.

Quero mesmo sem paixão. Não me fará falta.
E se fizer, não me provará nada:
Nem que tive, muito menos que a tenho.
Sou sobejo no luto, eu que não sou carne nem osso;
apequenando-me no som ilustre.

Pois venha me ver, a lápide tão tenebrosa de pavor;
responderá mais no silêncio dos vultos do que no grito de dor.

Eu, que me retiro dos fragmentos da vida;
e nela me atiro por inteiro, desgovernado.
Não me importo se sou eu quem vive ou "morro".
Silêncio, em que eu mesmo me aterro,
sem os barulhos do tempo que sempre me queixo;
nele sou virtude que nunca se alcança.

Quero assim, viver o tempo.
Sem o sisifismo das marionetes infames;
ou o desejo dos santos imunes.
Quero nascer dessas cinzas, sempre;
mesmo que todos mereçam as cores.

Nenhum comentário: