"Morre mais um instante com os olhos cansados. Quem o reconheceria com aquelas roupas rasgadas e olhos tão profundos? Ninguém. Sequer a mãe, tão cheia de afeto e carinho, soube que naquele cheiro insuportável se escondia seu único filho, o mais querido...." - pg.1
sábado, dezembro 10, 2011
PÁGINA 09
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Trecho Crônica do dia das Almas
sexta-feira, dezembro 02, 2011
A porta fechada
.
A porta e a tinta descascada.
Mostra a casa abandonada.
Fria, suja, as ruínas: solitária.
E bato e ninguém ouve.
Mas se movem, percorrendo
a nossa imensa memória.
Houve alguém um dia?
E a porta e o trinco
alguém silencia.
Bato até os braços cansarem.
O outro lado, o vazio enorme.
Quem de nós decidiu tanto
sobre nossa pavorosa vida?
Os planos expostos, a ferida
exposta; trancada, deprimente.
E bato e ninguém me ouve.
Houve alguém um dia,
mas e o trinco e a memória:
Alguém silencia.
E os abraços finalmente se cansam.
.
.
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A porta e a tinta descascada.
Mostra a casa abandonada.
Fria, suja, as ruínas: solitária.
E bato e ninguém ouve.
Mas se movem, percorrendo
a nossa imensa memória.
Houve alguém um dia?
E a porta e o trinco
alguém silencia.
Bato até os braços cansarem.
O outro lado, o vazio enorme.
Quem de nós decidiu tanto
sobre nossa pavorosa vida?
Os planos expostos, a ferida
exposta; trancada, deprimente.
E bato e ninguém me ouve.
Houve alguém um dia,
mas e o trinco e a memória:
Alguém silencia.
E os abraços finalmente se cansam.
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quarta-feira, outubro 19, 2011
Numa dessas noites de chuva
.
E te cobram, a densa força do pecado
um erro nada original, bastardo; penso.
Come a maçã, morde, assopra e beija:
A mulher dos seus dias, nua e verdadeira.
.
Penetro, abstrato: nas ruas carros passam.
.
É dia de chuva, mas a janela fica aberta.
Quem, em olhares santos; vê o que deve?
Cansada, fria; relaxa, mas nada devora:
Tantos homens e mulheres que passam.
.
Eu me alojo. Eu me renovo; eu me desespero.
.
É minha a sua mulher? Ou vice-versa?
De ninguém, ela repete a si mesmo
quando no espelho enfrenta o que sobrou.
E o pecado de ambos, num só recai:
.
Cruz do choro, da solidão e de tristeza.
.
O dia é de chuva, mas a janela fica aberta.
De ninguém, ela repete mais uma vez,
recebi qualquer beijo, de vingança ou ódio.
Eu me alojo. Eu me renovo. Ela se angustia.
.
Mas seu choro não é remorso, é desespero.
.
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E te cobram, a densa força do pecado
um erro nada original, bastardo; penso.
Come a maçã, morde, assopra e beija:
A mulher dos seus dias, nua e verdadeira.
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Penetro, abstrato: nas ruas carros passam.
.
É dia de chuva, mas a janela fica aberta.
Quem, em olhares santos; vê o que deve?
Cansada, fria; relaxa, mas nada devora:
Tantos homens e mulheres que passam.
.
Eu me alojo. Eu me renovo; eu me desespero.
.
É minha a sua mulher? Ou vice-versa?
De ninguém, ela repete a si mesmo
quando no espelho enfrenta o que sobrou.
E o pecado de ambos, num só recai:
.
Cruz do choro, da solidão e de tristeza.
.
O dia é de chuva, mas a janela fica aberta.
De ninguém, ela repete mais uma vez,
recebi qualquer beijo, de vingança ou ódio.
Eu me alojo. Eu me renovo. Ela se angustia.
.
Mas seu choro não é remorso, é desespero.
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Em um cotidiano qualquer.
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A herança é o fim do mundo: o presente.
O que mais quer, desisto hoje, para sempre.
Vamos tomar uma bebida?
Seguro o copo com as duas mãos:
- A bebida está quente?
A vítima dorme nos meus braços, ainda.
O perfume de ontem, hoje cheiro insuportável.
Os cadáveres que abominam os abutres
apodrecem para o resto da vida.
Seu presente hoje: o fim do mundo.
.
O mundo de hoje parece insuportável.
Desisto para sempre de tomar uma bebida.
Vamos falar sobre cinema?
Seguro seu braço com as duas mãos:
- Está indo embora?
O cadáver dorme nos meus braços, há vida.
Os abutres insuperáveis sobrevoam minha morte.
O fim do mundo, que resta do meu cheiro,
apodrece o que é o meu presente.
Vamos beber algo e esperar o fim do mundo?
.
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A herança é o fim do mundo: o presente.
O que mais quer, desisto hoje, para sempre.
Vamos tomar uma bebida?
Seguro o copo com as duas mãos:
- A bebida está quente?
A vítima dorme nos meus braços, ainda.
O perfume de ontem, hoje cheiro insuportável.
Os cadáveres que abominam os abutres
apodrecem para o resto da vida.
Seu presente hoje: o fim do mundo.
.
O mundo de hoje parece insuportável.
Desisto para sempre de tomar uma bebida.
Vamos falar sobre cinema?
Seguro seu braço com as duas mãos:
- Está indo embora?
O cadáver dorme nos meus braços, há vida.
Os abutres insuperáveis sobrevoam minha morte.
O fim do mundo, que resta do meu cheiro,
apodrece o que é o meu presente.
Vamos beber algo e esperar o fim do mundo?
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terça-feira, outubro 18, 2011
Flores do seu jardim
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Você não quer saber, mas sua frente,
flores em preto, jardim quase morto.
Ouço o som dos insetos, deteriorados;
querendo, o mais rápido, seu corpo.
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Tão vespas; moscas varejeiras:
Abelhas dos estrumes da vida.
E lótus negro de uma chuva densa.
Os corpos se lambuzam na lama.
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Olhe para mim: quer dizer algo?
A língua enrolada, enroscada; fútil.
Dizer algo não diz nada, quase sempre.
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E os bichos vão embora, cansados.
Do seu torso, infiltrado e enlameado.
O jardim morre, como num gozo, dócil.
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quarta-feira, agosto 10, 2011
Carta
.
A proposta, enfim, foi aceita.
Recebi hoje, em letras concretas.
Destinatário com nome incompleto.
Remetente também desconhecido.
O assunto é novo, mas diferente.
Estarei no horário marcado,
com minha melhor roupa, e perfume.
Já é meu dia, chegou na hora certa.
E nosso encontro, marcado há tempo;
desde meu nascimento, pela vida.
Olhava para o futuro e te encontrava,
mas não tinha coragem, menos motivo.
.
Hoje ainda não tenho, mas aceito.
.
Li todas as linhas, o absoluto.
Já me disseram tudo que está escrito.
Todas as pessoas sabem disso,
principalmente as mais velhas.
Eu sabia, mas não queria pensar nisso.
Agora não posso, é tão perto e tão óbvio.
Não escaparei, nem mesmo pretendo.
Dormirei tranqüilo esperando o outro dia.
Como diz a proposta: não existirá mais.
E lá, nas entrelinhas, diz que eu posso;
em qualquer momento, recusar.
Mas eu olhava o futuro e sempre esteve lá.
Não tinha coragem, mas agora tenho motivo.
.
Amanhã não tenho mais.
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A proposta, enfim, foi aceita.
Recebi hoje, em letras concretas.
Destinatário com nome incompleto.
Remetente também desconhecido.
O assunto é novo, mas diferente.
Estarei no horário marcado,
com minha melhor roupa, e perfume.
Já é meu dia, chegou na hora certa.
E nosso encontro, marcado há tempo;
desde meu nascimento, pela vida.
Olhava para o futuro e te encontrava,
mas não tinha coragem, menos motivo.
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Hoje ainda não tenho, mas aceito.
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Li todas as linhas, o absoluto.
Já me disseram tudo que está escrito.
Todas as pessoas sabem disso,
principalmente as mais velhas.
Eu sabia, mas não queria pensar nisso.
Agora não posso, é tão perto e tão óbvio.
Não escaparei, nem mesmo pretendo.
Dormirei tranqüilo esperando o outro dia.
Como diz a proposta: não existirá mais.
E lá, nas entrelinhas, diz que eu posso;
em qualquer momento, recusar.
Mas eu olhava o futuro e sempre esteve lá.
Não tinha coragem, mas agora tenho motivo.
.
Amanhã não tenho mais.
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terça-feira, junho 14, 2011
Eu silencio (O seu silêncio)
.
Amante dócil das frases soltas:
Gosto de ti quando ri, solta.
Gosto mais quando não me ignora.
E me pergunta coisas fáceis,
e diz que é mentira quando absurdo
(mesmo o absurdo sendo verdade).
E repreende minha loucura,
e sorri da minha tristeza,
e me adverte sobre o caminho
(Não me quer louco, triste e perdido).
.
Amante inexistente, eu andei pensando
em você muito perto, bem perto.
Vindo pelo corredor, entrando aqui
onde eu gosto de te ver (ler).
Não diria nada.
Também não há nada para dizer.
Talvez uma frase solta, sem sentido.
Nossa vida, ultimamente, tem mesmo
pouco sentido.
Um beijo tímido, outro não.
Iria rir também de ti e suas loucuras.
Viveríamos instantes,
o mínimo é o suficiente, sempre.
.
Mas não me venha, amante;
dizer-me coisas indecentes.
Da minha razão pelas coisas,
da minha indecisão sobre a vida,
da minha ansiedade.
Não diga nada, por favor.
Quando não há nada a dizer.
Gosto quando não me ignora,
Amo quando não me condena.
E louco, perdido ou triste,
não importa;
quando sua frase solta,
não diz a nenhuma verdade.
.
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Amante dócil das frases soltas:
Gosto de ti quando ri, solta.
Gosto mais quando não me ignora.
E me pergunta coisas fáceis,
e diz que é mentira quando absurdo
(mesmo o absurdo sendo verdade).
E repreende minha loucura,
e sorri da minha tristeza,
e me adverte sobre o caminho
(Não me quer louco, triste e perdido).
.
Amante inexistente, eu andei pensando
em você muito perto, bem perto.
Vindo pelo corredor, entrando aqui
onde eu gosto de te ver (ler).
Não diria nada.
Também não há nada para dizer.
Talvez uma frase solta, sem sentido.
Nossa vida, ultimamente, tem mesmo
pouco sentido.
Um beijo tímido, outro não.
Iria rir também de ti e suas loucuras.
Viveríamos instantes,
o mínimo é o suficiente, sempre.
.
Mas não me venha, amante;
dizer-me coisas indecentes.
Da minha razão pelas coisas,
da minha indecisão sobre a vida,
da minha ansiedade.
Não diga nada, por favor.
Quando não há nada a dizer.
Gosto quando não me ignora,
Amo quando não me condena.
E louco, perdido ou triste,
não importa;
quando sua frase solta,
não diz a nenhuma verdade.
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sexta-feira, junho 10, 2011
Sonho perigoso
.
Hoje aquele sonho desprevenido.
Estava acordado, zonzo; febril.
Estava com fome, mas não era fome;
nem sede, nem tristeza; nem morte.
Não era nada me fazendo.
Não era sua mão; nem seu lábio.
Nem dinheiro. Nem carros buzinando
evitando meu atropelamento:
E os braços e pernas, quebrados;
enquanto sonhava.
.
Sonho perigoso de sonhar acordado.
.
Não era um pesadelo, visto acordado.
Era delírio das coisas no seu devido lugar.
Estava o caos, instaurado o caos.
Ruiva brancura da noite,
visita a cama; o doente; o febril.
Inconseqüente eu sonhava.
Não era a mão, nem os lábios;
nem a língua; nem os braços.
Era a grama molhada, impaciente.
O grama de barro atolado
no calçado, na calçada; eu correndo.
Petrificado, preso; sonhava.
.
Sonho da vigília, do morto no caminho.
.
E a escuridão dos dias, do andar corrido;
não me faz sonhar acordado, nem lábios.
Nem vida surgindo do barro, e a língua.
Era o caos decifrado, na brancura da vida;
da ruiva grama da noite; a minha fome.
A mão que aparece, no sonho acordado;
é minha mão vazia.
Não é lisa, nem dócil; nem quebrada.
Era a grama queimada, a febre.
Era a vida correndo solta;
a falta de censura; era o pesadelo.
Era a falta da vontade, do desejo.
.
Sempre foi perigoso meu sonho acordado.
Hoje aquele sonho desprevenido.
Estava acordado, zonzo; febril.
Estava com fome, mas não era fome;
nem sede, nem tristeza; nem morte.
Não era nada me fazendo.
Não era sua mão; nem seu lábio.
Nem dinheiro. Nem carros buzinando
evitando meu atropelamento:
E os braços e pernas, quebrados;
enquanto sonhava.
.
Sonho perigoso de sonhar acordado.
.
Não era um pesadelo, visto acordado.
Era delírio das coisas no seu devido lugar.
Estava o caos, instaurado o caos.
Ruiva brancura da noite,
visita a cama; o doente; o febril.
Inconseqüente eu sonhava.
Não era a mão, nem os lábios;
nem a língua; nem os braços.
Era a grama molhada, impaciente.
O grama de barro atolado
no calçado, na calçada; eu correndo.
Petrificado, preso; sonhava.
.
Sonho da vigília, do morto no caminho.
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E a escuridão dos dias, do andar corrido;
não me faz sonhar acordado, nem lábios.
Nem vida surgindo do barro, e a língua.
Era o caos decifrado, na brancura da vida;
da ruiva grama da noite; a minha fome.
A mão que aparece, no sonho acordado;
é minha mão vazia.
Não é lisa, nem dócil; nem quebrada.
Era a grama queimada, a febre.
Era a vida correndo solta;
a falta de censura; era o pesadelo.
Era a falta da vontade, do desejo.
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Sempre foi perigoso meu sonho acordado.
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quinta-feira, junho 09, 2011
Lugar Errado
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Impressão que tenho desse lugar ideal:Estou preso e esquecido, enfim.
Tenho certeza que aqui o relógio erra.
E a passagem da vida muito mais.
Esse lugar, pintado em brasa;
É do meu inimigo da vida.
Dos tubarões famintos, mortos.
Do deserto sem grito, o frio.
Da floresta sem fome, quase extinta.
Onde tudo parece tão igual.
.
Os dias são iguais, imensamente iguais.
Ontem e o hoje, conectados ou não.
A sucessão dos passos, de sonhos.
Invariável série de ações:
Dormir, acordar e morrer.
A continuação das coisas,
prosseguimento das dúvidas e
prolongamento da dor.
Onde tudo parece não ter fim.
Os dias que acabam em sua imensidão.
.
Ontem e hoje, tão intensos.
Horas que viram noites e
sentimentos em solidão.
O lugar ideal, onde preso;
é o tempo que passa esquecido.
Dormir, morrer e acordar.
Numa continuação de dúvidas
Sobre a floresta ou o deserto;
Se vale a pena, onde tudo igual;
Esse lugar para continuar a viver.
Esse lugar que parece tão ideal.
.
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sexta-feira, maio 27, 2011
A verdade curiosa da mentira
Ontem me deparei com uma questão curiosa. Na verdade é uma questão que há muito tempo vem intrigando o pensamento filosófico. Tudo começou quando li uma teoria sobre a mentira, que, resumidamente seria uma distorção da verdade. Dizia o texto que para conseguirmos maior eficiência da mentira era necessário conhecer primeiramente a verdade. O ruído da informação era a grande chave para uma boa mentira. Assim, a mentira é uma forma de interpretação enganosa de uma verdade.
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No entanto, o texto não esclarece a tal questão que me pegou de surpresa: afinal o que é verdade? O problema não surgiu agora, mas é proposta desde o surgimento do pensamento filosófico, lá no longínquo mundo helênico. Dentro das inúmeras teses, dos infinitos devaneios; eis que surge a descoberta fundamental; um parecer sobre o caminho da verdade: o homem é a medida de todas as coisas!
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Considerando que correta a interpretação, devemos supor que a verdade nada mais é do que uma visão subjetiva das coisas reais. A realidade é; enquanto a verdade apenas existe. A realidade é abstrata, eterna, objetiva e completa. A verdade é a interpretação, a leitura; a manifestação do que nós, como seres humanos, conhecemos da realidade. Todavia, esse conhecimento é fragmentado e, muitas vezes distorcido. A verdade é momento em que nos aproximamos da realidade, mas em si; apenas é sua resolução; mas não a correta manifestação da existência.
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Como relativista de carteirinha, apresentada sempre que entro numa discussão; devo dizer que acredito que realidade seja absoluta, mas não na verdade. A verdade, em seu caráter universal, é sempre relativa. Quanto mais suposição da verdade se aproximar da realidade, maior será sua correlação com o que é real. O inverso, quanto mais uma verdade sair do centro da realidade, de sua órbita; menos real ela será; portanto será a mentira. É nesse ponto que acredito na teorização de que a mentira só é possível pelo prévio conhecimento da verdade. Só podemos supor o irreal quando nos deparamos com o real; mesmo que precariamente.
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A história ainda diz mais sobre a verdade, ou sobre seu conceito. Lá pelos lados da Judéia, a verdade é posta numa discussão entre Pilatos e o filósofo Nazareno. O que é a verdade, pergunta o poderio humano do romano na virtude do poderio metafísico do profeta. A resposta não existe, simplesmente. A resposta é que o conhecimento da verdade é a chave da libertação. O que vale a definição de que a mentira, portanto aprisiona. Conheça a verdade e ela o libertará; conheça a si mesmo, nos Delfos. O homem continua sendo a medida de todas as coisas.
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A iluminação dos tempos modernos trouxe a definição da verdade como o observável, aquilo que pode ser conduzido, repetido e analisado. O positivismo da verdade descobre as coisas pelo que elas não podem ser; não o que elas realmente são. A verdade do que é “água” é a manifestação lógica de que ela não pode “fogo”, por exemplo. Conhecemos a água em sua formulação, e isso para a ciência do nosso tempo, basta como verdadeiro. Mas mensurar a água pelos elementos de sua composição é a pueril verdade relativa do concreto; mas não a maturidade absoluta do abstrato. A água pode ser vapor, pode apagar o fogo. O conceito da água é superior ao elemento químico.
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Mas é correto que a parte conhecida da “água”, o seu elemento químico, aproxima-se da realidade, assim se tornando uma verdade relativa a uma mentira relativa. Ao sentenciarmos que o fogo e a água são a mesma coisa, estamos nos aproximamos de uma irreal observação de elementos conhecidos, saindo do centro da realidade e nos prendendo aos fios estática mentira. Assim a verdade, ou o conhecimento relativo da verdade, é a única maneira da verdadeira libertação.
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A conclusão da mentira é que ela é tão verdadeira como a própria verdade, mas existe uma diferença básica entre as suas opiniões, ou seja, nossa subjetiva interpretação do que é objetivo. Enquanto aquela se aproxima da realidade, atingindo a liberdade e a universo da existência dos seres, esta aprisiona no isolamento egocêntrico do pensamento humano.
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