terça-feira, maio 15, 2007

Manhã de Quarta

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Manhã noturna, abre-se em mim
um horizonte negro.
O corpo reluta, numa batalha
pela inércia dos dias.
A vida procura sentindo, entre
escombros de mágoa.
Move-se ao relento e encontra,
em desatino, soberbo sol.
Quer de mim alguma coisa?
Que posso fazer dessa alma inútil?
Volto ao desejo da inconsciência.
Que possuo? Tenho em mim
o relógio do tempo?
Não durmo tranqüilo, mas
vivo em piores dias, ainda.
Chega a rigorosa Lua,
e em prantos decide pela cura.
E você? Quer também alguma coisa?
A noite noturna se abre.
Já não é mais horizonte nenhum.
Que posso fazer da alma inútil?
Tenho em mim o gosto das coisas?
A Lua concorda comigo, pois
só reflete o quê o Sol pode oferecer.
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segunda-feira, maio 14, 2007

Alguma Coisa

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Nem certo, ou errado. Em que
caminho nos perdemos?
Desvio inverso do desencontro.
Passado, presente e futuro.
Sempre ouvi você, mas
decidi o silêncio nas preces.
Minha mente, que recria
imagens no quadro:
põe sempre ausente sua textura.

Carrego tintas, preto no branco,
na tela submersa no destino.
Um longo tempo, nem sempre
é o bastante para acreditarmos:
Quanto tempo me espera acordada?
Vai acreditar em todas minhas palavras?
Minha mente, me engana, às vezes;
Mas meu coração nunca se perdeu.

Na tela, das coisas que nunca desisti,
coisas simples e algumas palavras:
poesia, livre, poeta, livre.
E na percepção das coisas, sempre
esquece alguma coisa, em você.
A verdade nunca acompanha quem
não transcende em mim.
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domingo, maio 13, 2007

Depende

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Uma espécie de recanto, sou
e depende de quem é você;
sou desprezível imaculado.
Não queira saber quem, como,
na minha existência, toda;
melhor apenas o que penso ser.
Não tente adivinhar, pode ser pior;
nos mistérios ainda sou melhor
mas exatamente insuspeito.
Critério, dúvida e respostas:
Existem, mas também não sei.
Não tenho garras, nem dentes
que mordem arrancando pedaço.
Sou manso, pretendo pacífico.
Sou escória, mas não vivo onde
você pode encontrar insensíveis.
Amoroso, pretérito. Hoje sereno.
Sou quem você procura, mas
prefere não achar, suspeito.



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sexta-feira, maio 11, 2007

LadoZ

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Ontem busquei em meus arquivos coisas antigas. E tem um monte, para todo gosto. Não queria usá-los, mas recriá-los. É difícil pensar que um texto já perdeu a pose. Olhei para dois deles, ruins. Normalmente eu tenho uma certa aversão aos meus textos, mas aquilo que estava em minhas mãos era péssimo. Joguei fora. Quantas coisas eu joguei no lixo nesses últimos dezoito anos? Acho que vocês já passaram por isso, não é mesmo? Jogar na lata do lixo o que não faz mais sentido: um amor, um emprego, uma crença, um candidato, um ídolo... Não costumo jogar ídolos fora, mas alguns não merecem continuar na galeria.

* * *

Led eu não jogaria no lixo. Uma das dez melhores bandas de rock do mundo. Não crio lista, pois tenho certeza que sempre vou mudar a ordem, mas não acredito que mudarei a seleção. Led está, sempre esteve desde quando comecei a escutar música.

(Nota: Música se discute sim, não entrem no embalo do "música não se discute, cada um tem um gosto". Música péssima não se discute, se ignora)


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quinta-feira, maio 10, 2007

Carta ao Vento 002

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Gosto de escrever, isso parece não ser uma dúvida. Prosa, verso. Tem gente que gosta mais da prosa, sou mais crítico, realista e normal. A prosa tem uma relação mais forte com meus pensamentos. Mas não sou tão bom em prosa, sinto-me ainda um pouco estranho nesse mundo. Queria escrever um romance, tenho idéias para isso. Mas também acredito na suposição que muitos dizem: não existe romancista sério que tenha menos de quarenta anos. É um número apocalíptico antes de ser cabalístico. Espero chegar aos quarenta, então.

Meu momento agora, infelizmente para alguns, é de verso. Fico mais confortável, mais livre e realmente mais completo quando escrevo em verso. Meu começo foi com poema. Minha primeira impressão da imitação da vida foi com verso, nele dei asas ao pensamento, transbordando. É isso ai, no poema eu transbordo. Não dou a mínima para opinião, para achados e cismas. Escrevo e pronto! Dane-se. É meu momento.

Nos últimos meses minha produção tem sido recheada de poemas, bons e ruins. Dane-se mais uma vez. Não me importo.

Espero conseguir escrever uma prosa internética nos próximos meses, mandarei por e-mail como sempre fiz. Mas não esperem com urgência, pode demorar....




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quarta-feira, maio 09, 2007

Zona do Esquecimento I


Foram todos embora, saíram
deixando esperança no retorno
e um desejo de não dizer adeus.
Levaram minhas roupas, jóias.
Levaram tudo que podia caber
numa mala velha de couro que
ficava perto da cama e do abajur.
Os livros, todos e suas palavras.
Levaram a música dos ouvidos,
sabor da carne, o vento da janela,
o suspiro da boca da amada, e
na porta deixaram um recado:
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Não entrem jamais em desespero.
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Um me beijou o rosto, outra a boca.
Ambos me acariciaram o rosto pensando
que eu não poderia reconhecê-los.
Andaram pelo corredor, não me viram
observando a partida; com lágrimas
e vontade de impedi-los qualquer tolice.
Consigo, nas mãos, minha vida e meus
sabores pela juventude. De um lado
meu corpo ainda são, do outro quem
jamais deveria ter esquecido imune.
Levaram muito mais do que podiam,
e o que restou continua sobrevivendo:
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Não me deixando jamais em desespero.




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Somos Iguais

Não te amo, não. E tomo
teu lugar, onde estiver sozinha
Serei tua sombra, dizendo
coisas no ouvido, respirando
sem sentido. Vendo desgosto.
Amando cansado e triste.
Não te amo, não. Vê?
Que some na paixão, nossos
corpos transformando-se
numa fusão desapercebida.
Não é amor, não amo ninguém.
Para mim qualquer beijo, é beijo.
Teus cabelos, cabelos. Teu corpo
deitado em qualquer lugar, é corpo.
Não te amo, não. Mas gosto
de estar aqui com você, sim.
E assumimos a situação, sem
problemas, ressentimentos e choro.
Tenho tudo e você precisa;
somos quase iguais, mas
Não te amo, não.
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sexta-feira, maio 04, 2007

Qual objetivo afinal?

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O Departamento de Estado dos Estados Unidos acaba de divulgar relatório indicando crescimento de mortes devido a atos terroristas. Essa informação acaba prejudicando mais um pouco a abalada política externa do governo Bush. Afinal, desde 2000, ele tem se empenhado em acabar com o terrorismo através de invasões de territórios inimigos, de uma luta a favor da democracia e da eliminação do mapa aqueles considerados ditadores sanguinários. Foi assim no Iraque e Afeganistão. Mas, por incrível que pareça, essas duas regiões estão na lista das mais críticas em relação aos atentados.

Lembro que várias discussões surgiram quando EUA decidiu brigar contra os terroristas: afinal ele estava se colocando no papel de justiceiro mundial, ignorando inclusive resolução de países membros da ONU. Todos foram obrigados a aceitar o governo americano como grande salvador contra o crime mundial, justificando tal resolução na capacidade bélica dos americanos, nos recursos monetários e na habilidade administrativa. Parecia mesmo que era o único país capaz de concertar um estado tão desfigurado.

Os americanos tinham boas justificativas para entrar na guerra, afinal foi com a queda das duas bastilhas que o inimigo se mostrou perigoso, forte e organizado. Conseguiram apoio dos ingleses, de meia dúzia de países menores; e assim foram com a cara e a coragem acabar com os malfeitores. Desmontou a oligarquia de alguns países, certo de que novos ditadores seriam confiáveis e amigos. Pôs homens capazes de manter a segurança do povo e mandou alimento para os mais necessitados. Parecia que tudo estava indo muito bem.

No entanto, novas questões foram surgindo com o passar do tempo: afinal, os americanos decidiram acabar com o terrorismo desmontando governos que apoiavam esses atos; decidiu também que reconstruiria o estado tomado, deixando o povo livre, com governo democrático e com a segurança que jamais tiveram. E nada disso está sendo feito. O povo continua sofrendo com a violência, continua sem prosperidade e sem garantias para o futuro. E pior ainda, continuam sofrendo nas mãos dos terroristas.

Nesse momento o foco passa a ser a capacidade dos americanos de cumprirem seus objetivos: será que a promessa de acabar com os terroristas, a decisão de ajuda humanitária ao povo, vontade pela democracia e a reconstrução dos países invadidos eram somente promessas de palanque? Será que os americanos perceberam, junto com todos os aliados, que são incapazes da total liderança do mundo? Seria o fim da vanglória americana? Pois ouvindo o compromisso não estão somente os texanos e republicanos; mas todo povo mundial. E todos muito críticos em relação a qualquer decisão, acertada ou não, do governo americano.

A política externa americana recebeu um golpe forte com o relatório, o resumo de uma derrota que todos desconfiam, mas não acreditam. E a dúvida do mundo, é também uma dúvida dos americanos: Bush conseguirá resolver os problemas? Conseguirá criar uma agenda positiva em relação aos países que ainda estão dominados pelo medo, pela violência? Conseguirá ainda reconstruir um estado democrático onde sabe da existência de inimigos, mas que se tornam cada vez mais ocultos? E reunindo prováveis réplicas convencer o mundo de que um dia esteve certo?




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domingo, abril 29, 2007

Teatro

O teatro é feito para as pessoas que mentem.
Não uma mentira malsoante que humilha a profissão
do artista.

Mas a mentira de não ser real.
A mentira de trazer o que não é bem, ou o que não é mal
como se tanto faz quem é o santo ou o demônio.
Mentira de perdoar e de amar tão facilmente como matar e fazer
sexo.

O teatro é palco da mesmice cênica de nossas paixões.
Como poderia existir alguém que acreditasse que o teatro é
coisa séria para os sentimentos humanos, sendo que ele
é o próprio sentimento humano?

Ninguém.

Falo do teatro como penso meu poema:
Inútil, desacreditado e ridículo.





(Tempo Todo, pg.18 - Sergio Roberto)

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sexta-feira, abril 27, 2007

Carta ao Vento 001

Ando meio desperto. Não sei que mal me afligiu nos últimos dias que me deixou assim: sem razão nenhuma para continuar escrevendo. Acho até que isso seja passageiro, uma coisa de artista, que foge de vez em quando do comum para ser questionado, visualizado; até mesmo ignorado. Creio ser uma grande vantagem um dia ser ignorado. Mas o êxtase mesmo é a crítica: ando sentindo falta delas.

Estou escrevendo um novo romance, para quem me conhece sabe que receberão em breve por e-mail. Já chamam por ai de novela internética. Daqui a pouco é moda, todo mundo escrevendo umas histórias, mandando pela internet para um grupo seleto de amigos, esperando cartas de agradecimento, elogios e coisas mais. Fico contente com isso, logo pensarão que copiei alguém.

Espero que no futuro lembrem quem começou tudo isso.





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